Autor

Wadmilson Costa da Fonseca e Cruz

Data de Publicação

12/04/2026, 19:38

1 📌 Introdução

Como forma de aplicar os conceitos que estudamos em aula de estatistica de manera pratica, realizamos 40 lançamentos utilizando uma catapulta, midindo e anotando a distancia alcançada em cada tentativa. A partir desses valores coletados, analisaremos os dados aplicando os conceitos de medidas de posição e disperção, e a realizaremos sua tabulação e representação grafica, tanto com dados agrupados em intervalos de classe quanto sem.

2 🎯 Objetivo

O foco deste relatorio, consiste em realizar a descrição dos dados coletados por meio de tabulação e apresentação gráfica, bem como calcular as medidas de posição e de dispersão, tanto com ou sem agrupamento de dados em intervalos de classe ou não, discutindo as diferenças observadas entre os resultados.

Além disso, objetivamos analisar a assimetria e a curtose do conjunto de dados, apresentando justificativas sobre a importância dessas medidas para a descrição estatística, bem como indicar possíveis falhas ocorridas durante a execução do experimento.

3 ⚙️ Metodologia

O experimento foi realizado em sala de aula. Formamos dois grupos, onde um realizou os lançamentos primeiro e, depois, o outro. No primeiro grupo, as funções foram divididas da seguinte forma: Maria Eduarda e Marcos ficaram responsáveis pela execução dos lançamentos, Igor e o Lucas, pela medição das distancias, João Pedro, pela captura das fotos, e Wadmilson, pela coleta e anotação dos dados. Utilizamos uma catapulta, uma trena e uma bolinha para a realização do experimento. A catapulta foi posicionada sobre uma mesa com altura de 78 cm, e com a trena medimos a distancia alcançada em cada lançamento.

Na catapulta, utilizamos diferentes combinações de variaveis, sendo o A+ (segundo pino,de cima para baixo ), o A-(primeiro pino, de cima para baixo), o O- (terceiro pino, de cima para baixo), e B+ (angulo de 45 graus), conforme mostra nas imagens que se seguem.

foto da cataputa montadafoto da cataputa montadafoto da cataputa montada

Para torna a medição mais simples e menos trabalhosa, marcamos uma distancia inicial de 250 cm (2,5 metros) do pé da mesa, na direção do espaço que a bolinha percorreria após ser lançada, como ponto fixo de referencia. Assim como observaremos na imagem a seguir.

Foto da medida referencial fixada

Para obter a distancia total de cada lançamento, somamos essa distancia fixa com a distancia adicional registrada em cada lançamento. Ao final, Marcos organizou todas as medidas coletadas e eviou os dados amostrais para o professor, e para os demais integrantes do grupo.

Assim as distancias totais em centimetros, que coletamos após os 40 lançamentos foram: 346, 339, 339, 332, 293, 368, 365, 341, 329, 339, 323, 335, 369, 347, 352, 340, 338, 350, 341, 336, 320, 341, 330,328, 336, 318, 275, 329, 357, 317, 302, 331, 359, 333, 324, 334, 339, 332, 331, 320.

4 Análise e discussão dos resultados

4.1 Tabulação e apresentação grafica de dados brutos sem intervalos de classe e suas medidas

Com os dados coletados, faremos sua tabulação e apresentação grafica, tanto agrupados em intervalos de classes quanto sem agrupamento. Em seguida, calcularemos as medidas de posição e dispersão para cada um dos casos.

Primeiramente, apresentaremos a tabulação e apresentação grafica com dados brutos, sem intervalos de classes, juntamente com suas medidas de posição e dispersão.

Código
#|code-fold: True
#|warning: False
library(leem)
dados <- c(346, 339, 339, 332, 293, 368, 365, 341, 329, 339, 323, 335, 369, 347, 352, 340, 338, 350, 341, 336, 320, 341, 330,328, 336, 318, 275, 329, 357, 317, 302, 331, 359, 333, 324, 334, 339, 332, 331, 320)
# Transformar para dados discretos/sem agrupamento
dados_sem_agrupo <- new_leem(dados, variable = 'discrete')
# Tabela de frequencia
tabela_sem<- tabfreq(dados_sem_agrupo, ncol = 4)
tabela_sem

Tabela de frequência 
Tipo de variável: discrete

   Groups Fi   Fr Fac1 Fac2 Fp Fac1p Fac2p
1     275  1 0.03    1   40  3   2.5 100.0
2     293  1 0.03    2   39  3   5.0  97.5
3     302  1 0.03    3   38  3   7.5  95.0
4     317  1 0.03    4   37  3  10.0  92.5
5     318  1 0.03    5   36  3  12.5  90.0
6     320  2 0.05    7   35  5  17.5  87.5
7     323  1 0.03    8   33  3  20.0  82.5
8     324  1 0.03    9   32  3  22.5  80.0
9     328  1 0.03   10   31  3  25.0  77.5
10    329  2 0.05   12   30  5  30.0  75.0
11    330  1 0.03   13   28  3  32.5  70.0
12    331  2 0.05   15   27  5  37.5  67.5
13    332  2 0.05   17   25  5  42.5  62.5
14    333  1 0.03   18   23  3  45.0  57.5
15    334  1 0.03   19   22  3  47.5  55.0
16    335  1 0.03   20   21  3  50.0  52.5
17    336  2 0.05   22   20  5  55.0  50.0
18    338  1 0.03   23   18  3  57.5  45.0
19    339  4 0.10   27   17 10  67.5  42.5
20    340  1 0.03   28   13  3  70.0  32.5
21    341  3 0.07   31   12  7  77.5  30.0
22    346  1 0.03   32    9  3  80.0  22.5
23    347  1 0.03   33    8  3  82.5  20.0
24    350  1 0.03   34    7  3  85.0  17.5
25    352  1 0.03   35    6  3  87.5  15.0
26    357  1 0.03   36    5  3  90.0  12.5
27    359  1 0.03   37    4  3  92.5  10.0
28    365  1 0.03   38    3  3  95.0   7.5
29    368  1 0.03   39    2  3  97.5   5.0
30    369  1 0.03   40    1  3 100.0   2.5
============================================== 
Groups: Agrupamento discretizado 
Fi: Frequência absoluta 
Fr: Frequência relativa 
Fac1: Frequência acumulada (abaixo de) 
Fac2: Frequência acumulada (acima de) 
Fp: Frequência percentual 
Fac1p: Frequência acumulada percentual (abaixo de) 
Fac2p: Frequência acumulada percentual (acima de) 
Código
# Criando o graficorafico
Grafico <- barplot(table(dados), main = 'Meu Grafico', xlab = 'valores', ylab = 'frequencia')

Código
# MEDIDAS DE POSIÇÃO
#| code-fold: True
media <- mean(dados)
mediana <- median(dados)
# Calcula a moda
tabela <- table(dados)
moda <- as.numeric(names(tabela[tabela == max(tabela)]))
cat("--- MEDIDAS DE POSIÇÃO ---\n")
--- MEDIDAS DE POSIÇÃO ---
Código
cat("Média Aritmética:", media, "\n")
Média Aritmética: 334.45 
Código
cat("Mediana:", mediana, "\n")
Mediana: 335.5 
Código
cat("Moda:", moda, "\n\n")
Moda: 339 
Código
# MEDIDAS DE DISPERSÃO
#| code-fold: True
amplitude_total <- max(dados) - min(dados)
variancia <- var(dados)
desvio_padrao <- sd(dados)
coeficiente_variacao <- (desvio_padrao / media) * 100
erro_padrao_media <- desvio_padrao / sqrt(length(dados))
cat("--- MEDIDAS DE DISPERSÃO ---\n")
--- MEDIDAS DE DISPERSÃO ---
Código
cat("Amplitude Total:", amplitude_total, "\n")
Amplitude Total: 94 
Código
cat("Variância:", variancia, "\n")
Variância: 337.4846 
Código
cat("Desvio Padrão:", desvio_padrao, "\n")
Desvio Padrão: 18.37075 
Código
cat("Coeficiente de Variação (%):", coeficiente_variacao, "\n")
Coeficiente de Variação (%): 5.492825 
Código
cat("Erro Padrão da Média:", erro_padrao_media, "\n")
Erro Padrão da Média: 2.904671 

4.2 Interpretando os resultados obtidos

Os valores da média (334,45) e da mediana (335,5) são muito próximos, indicando que os dados são simétricos e bem distribuídos, sem valores extremos que alterem o centro da distribuição. A moda é 339, pois este foi o valor que mais se repetiu na amostra, ocorrendo com maior frequencia.

A amplitude Total deu 94, pois o valor máximo é 94 unidades superior ao valor mínimo, mostrando a extensão total do intervalo coberto pelos seus dados. A variância foi de 337,48, uma medidaque expressa o grau de dispersão, quanto maior esse valor, mais afastados da media estão os dados, refletetindo o cálculo das distâncias quadradas em relação ao centro.

O Desvio Padrão de 18,37 e o Coeficiente de Variação de apenas 5,49% indicam baixa dispersão e alta homogeneidade, ou seja, os dados são consistentes e poucos variaveis em torno da media.

O erro padrão da média de 2,9 significa que o valor de 334,45 é bastante preciso, representando muito bem a realidade dos dados com uma pequena margem de erro.

4.3 Tabulação e apresentação grafica de dados agrupados com intervalos de classe e suas medidas

Agora, faremos a tabulação e a apresentação grafica com dados agrupados em intervalos de classe, bem como o calculo das respetivas medidas de posição e dispersão.

Código
#| code-fold: true
#| warning: false
library(leem)

dados <- c(346, 339, 339, 332, 293, 368, 365, 341, 329, 339, 323,
           335, 369, 347, 352, 340, 338, 350, 341, 336, 320, 341,
           330, 328, 336, 318, 275, 329, 357, 317, 302, 331, 359,
           333, 324, 334, 339, 332, 331, 320)

# Transformar para dados contínuos/com agrupamento
dados_com_agrupo <- new_leem(dados, variable = "continuous")

# Tabela de frequência
tabela_com <- tabfreq(dados_com_agrupo)
tabela_com

Tabela de frequência 
Tipo de variável: continuous

            Classes Fi    PM   Fr Fac1 Fac2 Fp Fac1p Fac2p
1 265.6 |---  284.4  1 275.0 0.03    1   40  3   2.5 100.0
2 284.4 |---  303.2  2 293.8 0.05    3   39  5   7.5  97.5
3   303.2 |---  322  4 312.6 0.10    7   37 10  17.5  92.5
4   322 |---  340.8 21 331.4 0.52   28   33 52  70.0  82.5
5 340.8 |---  359.6  9 350.2 0.22   37   12 22  92.5  30.0
6 359.6 |---  378.4  3 369.0 0.07   40    3  7 100.0   7.5

============================================== 
Classes: Agrupamento de classes 
Fi: Frequência absoluta 
PM: Ponto médio 
Fr: Frequência relativa 
Fac1: Frequência acumulada (abaixo de) 
Fac2: Frequência acumulada (acima de) 
Fp: Frequência percentual 
Fac1p: Frequência acumulada percentual (abaixo de) 
Fac2p: Frequência acumulada percentual (acima de) 
Código
### Gráfico (Histograma)
#| code-fold: true
barplot(tabela_com, main = "Histograma com Intervalos", 
        xlab = "Distância (cm)", ylab = "Frequência", col = "lightblue")

Código
### Medidas de Posição 
#| code-fold: true
media <- mean(dados)
mediana <- median(dados)
moda <- as.numeric(names(which.max(table(dados))))

# --- MEDIDAS DE DISPERSÃO ---
amplitude <- max(dados) - min(dados)
variancia <- var(dados)
desvio_padrao <- sd(dados)
coeficiente_variacao <- (desvio_padrao / media) * 100
erro_padrao_media <- desvio_padrao / sqrt(length(dados))

# --- EXIBIR TUDO ---
cat("\n\n")
Código
cat("MEDIDAS DE POSIÇÃO\n")
MEDIDAS DE POSIÇÃO
Código
cat("Média:", round(media, 2), "\n")
Média: 334.45 
Código
cat("Mediana:", mediana, "\n")
Mediana: 335.5 
Código
cat("Moda:", moda, "\n")
Moda: 339 
Código
cat("MEDIDAS DE DISPERSÃO\n")
MEDIDAS DE DISPERSÃO
Código
cat("Amplitude Total:", amplitude, "\n")
Amplitude Total: 94 
Código
cat("Variância:", round(variancia, 2), "\n")
Variância: 337.48 
Código
cat("Desvio Padrão:", round(desvio_padrao, 2), "\n")
Desvio Padrão: 18.37 
Código
cat("Coef. Variação:", round(coeficiente_variacao, 2), "%\n")
Coef. Variação: 5.49 %
Código
cat("Erro Padrão Média:", round(erro_padrao_media, 2), "\n")
Erro Padrão Média: 2.9 
Código
cat("\n")

4.4 Interpretando os resultados obtidos

Os resultados obtidos com os dados agrupados foram muito próximos aos encontrados na análise sem agrupamento. A média de 334,45 e a mediana de 335,5 continuam muito próximas, confirmando a simetria dos dados. A moda de 339 permanece como o valor mais frequente. O desvio padrão de 18,37 e o coeficiente de variação de 5,49% indicam, novamente, baixa dispersão e alta homogeneidade, mostrando que os valores são consistentes e próximos uns dos outros, independentemente da forma como foram organizados

Ao analisar os resultados obtidos, observa-se que os valores calculados foram extremamente próximos. Isso ocorreu porque os dados se distribuíram de forma bastante uniforme dentro das classes e porque utilizamos os pontos médios como base para os cálculos.

O agrupamento dos dados facilita a visualização gráfica e a leitura da tabela, sem perder a precisão das informações principais. Porém, trata-se sempre de uma estimativa: perdemos um pouco da identidade individual de cada valor em troca de uma visão geral. Já os dados brutos oferecem exatidão total.

A seguir, abordaremos os coeficientes de assimetria e curtose.

4.5 Coeficiente de Assimetria (Pearson)

A assimetria mede se os dados estão concentrados à esquerda, à direita ou se distribuem de forma simétrica em relação à média. Cálculo:

Código
# Usando os valores que já calculamos
media <- 334.45
mediana <- 335.5
desvio_padrao <- 18.37
# Fórmula: Sk = 3 * (Média - Mediana) / Desvio Padrão
sk <- 3 * (media - mediana) / desvio_padrao
# Mostrando o resultado
cat("--- Coeficiente de Assimetria (Pearson) ---\n")
--- Coeficiente de Assimetria (Pearson) ---
Código
cat("Sk =", sk, "\n")
Sk = -0.1714752 

Como o valor calculado é -0,17, muito próximo de zero, a distribuição apresenta assimetria praticamente Nula / levemente negativa. O histograma tem formato muito próximo a uma “curva de sino” perfeita.

4.6 Coeficiente de Curtose

A curtose mede o “grau de achatamento” ou “pontuação” da curva de frequência, comparando-a com a Curva Normal.

Ela é classificada em:

  • mesocúrtica: curva normal (padrão);
  • leptocúrtica: curva mais “alta e pontuda” (dados muito concentrados);
  • platicúrtica: curva mais “baixa e achatada” (dados muito espalhados);

Com base na dispersão e quartis, observa-se que os dados estão bem concentrados em torno da média, com caudas adequadas, logo, a distribuição é mesocúrtica, pois seu formato é muito semelhante ao da distribuição normal padrão.

Essas medidas são importantes porque a média e o desvio padrão sozinhos não revelam toda a informação. Saber que a distribuição é simétrica confirma que a média é uma boa medida representativa dos dados, caso fosse muito assimétrica, a mediana seria a melhor opção.

Muitos modelos e testes estatistico, como o Teste T ou Análise de Regressão, exigem que os dados tenham distribuição próxima da normal, e o valor -0,17 obtido valida o uso dessas ferramentas.

Conhecer a forma da curva ajuda a compreender o comportamento do fenômeno estudado, neste caso, os valores são consistentes e bem distribuídos em torno do centro.

4.7 Possíveis falhas de execução do experimento

Durante a coleta dos dados, observou-se que os resultados do lançamento 5, 27 apresentaram valores muito inferiores aos demais, indicabdo provaveis erro na execução.

Embora sejam esperadas pequenas variações entre os lançamentos, a diferença observada foi excessiva.

Além disso, ocorreram falhas na medição por parte da equipe: nem todas as marcções foram feitas exatamente no ponto de impacto da bolinha. A trena ficou ligeiramente deslocada da referencia e, em alguns casos, oponto registrado não correspondia ao primeiro contacto entre da bolinha com o solo.

5 📖 Referências

R CORE TEAM. R: A Language and Environment for Statistical Computing. Vienna: R Foundation for Statistical Computing, 2025. Disponível em: https://www.R-project.org/.

BRITO, Ben Dêivide. leem: Learning from Elementary Statistics Methodology. R package version 1.1.3, 2023. Disponível em: https://bendeivide.github.io/leem/.

MORETTIN, Pedro Alberto; BUSSAB, Wilton de Oliveira. Estatística Básica. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

TRIOLA, Mario F. Introdução à Estatística. 12. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017.